2 REFEIÇÕES É MELHOR PARA EMAGRECER QUE 6 REFEIÇÕES?

Enquanto a ciência não produz dados mais consistentes sobre o impacto do número de refeições no emagrecimento, a polêmica continua: comer mais vezes é melhor que fazer menos refeições? Em 2015 Michelle K. Alencar e seus colaboradores (1) realizaram um estudo para verificar se o consumo de uma dieta de 1200 kcal/dia distribuída em 2 ou 6 refeições diárias teria impacto sobre a composição corporal e marcadores de saúde. Os pesquisadores acompanharam 11 mulheres obesas (IMC médio 39,1 e idade média 52 anos) que foram randomizadas em dois tratamentos T1 (1200 Kcal/dia em duas refeições) e T2 (1200 Kcal/dia em 6 refeições), ou seja o consumo energético era o mesmo, mas o número de refeições era diferente. As participantes fizeram duas semanas de cada tratamento com intervalo de duas semanas entre um tratamento e outro.

Os tratamentos utilizados na pesquisa tiveram impacto semelhante sobre os parâmetros sanguíneos de saúde que foram avaliados (glicemia de jejum, insulina, colesterol total, LDL e triglicerídeos).  O tratamento com 2 refeições se mostrou mais eficiente na manutenção do HDL (reduziu menos comparado ao tratamento com 6 refeições).

Em relação a perda de peso, o tratamento com 2 refeições promoveu redução média de 2,8kg contra 1,9kg do tratamento com 6 refeições. Os autores relatam que a perda de gordura corporal foi semelhante nos dois tratamentos. Porém, durante o tratamento com 2 refeições houve redução média de 3,3% da massa livre de gordura (massa magra) contra um aumento médio de 1,2% da massa livre de gordura no tratamento com 6 refeições.

Os autores concluem que a redução do número de refeições se associou com maiores níveis de HDL, mas ressaltam que o significado clínico dessa alteração não está claro. Além disso, os autores concluíram aumento do número de refeições parece contribuir para preservar a massa livre de gordura durante a perda de peso.

É importante ressaltar que esse estudo utilizou uma amostra pequena (11 mulheres) e específica (mulheres obesas com idade média acima de 50 anos). Além disso, o tempo de intervenção foi muito curto (apenas duas semanas). Assim, devemos ser cautelosos na interpretação dos resultados. Com os resultados apresentados aqui não é possível estabelecer que 2 refeições é melhor do que 6 e nem o contrário. Precisamos de estudos mais longos e com outras populações (homens, sujeitos fisicamente ativos, jovens ou idosos, etc.).

Até o próximo post!

REFERÊNCIAS:

  • ALENCAR, Michelle K. et al. Increased meal frequency attenuates fat-free mass losses and some markers of health status with a portion-controlled weight loss diet.Nutrition Research, v. 35, n. 5, p. 375-383, 2015.

Por Wilson César Abreu

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