CARBOIDRATOS OU GORDURAS: QUAL A MAIOR AMEAÇA PARA UMA VIDA SAUDÁVEL?

Recentemente a revista científica The Lancet publicou dados do estudo Prospective Urban Rural Epidemiology (PURE) que foi conduzido em 18 países envolvendo 135.335 pessoas. O estudo foi realizado entre 2003 e 2013 e os participantes foram acompanhados em média por 7,4 anos. Durante o estudo 5796 mortes foram registradas. A ingestão de nutrientes foi avaliada por meio de questionário de frequência alimentar validado. Ao final do estudo, os autores relacionaram o consumo de carboidratos e gorduras com o risco de mortalidade e de eventos cardiovasculares.

De acordo com a interpretação dos autores o alto consumo de carboidratos (>60% da ingestão energética total) foi relacionado com maior risco de mortalidade total, enquanto o maior consumo gordura total (35% da ingestão energética total) e os tipos de gordura foram relacionados com menor risco de mortalidade total. Deve-se considerar que o aumento do consumo de gorduras, em geral, acarreta redução do consumo de carboidratos. Assim os participantes que consumiam mais carboidratos também consumiam menos gorduras e os que consumiam mais gorduras também consumiam menos carboidratos.

Além disso, o maior consumo de gordura total e os tipos de gordura não foram associados com doenças cardiovasculares, infarto do miocárdio ou mortalidade por doença cardiovascular e a gordura saturada foi associada inversamente com acidente vascular cerebral (AVC). Os autores sugerem que os guias alimentares globais deveriam ser reconsiderados.

Contudo, é importante ficar atento aos dados apresentados e ter cautela na sua interpretação.

Concordo plenamente que estamos consumindo carboidratos em excesso, especialmente os carboidratos refinados (açúcar, doces, produtos de panificação, bebidas açucaradas e diversos industrializados). O consumo deste tipo de produto precisa ser reduzido urgentemente.

Por outro lado, os carboidratos bons, como frutas, hortaliças, raízes e tubérculos devem continuar sendo consumidos, mas com moderação.

Embora, neste estudo, as gorduras tenham sido “absolvidas” como causadoras de doenças cardiovasculares, isso não significa que seu consumo deve ser exagerado. Definir recomendações nutricionais adequadas para cada população é uma tarefa árdua. Considero que seja necessário evoluir as recomendações para valores relacionados ao peso corporal, pois os valores percentuais não dão a dimensão da ingestão absoluta que é mais importante. Exemplo, uma pessoa que ingere 50% de carboidratos de uma dieta de 1800 Kcal está ingerindo 225g de carboidrato por dia. Quando essa mesma pessoa ingere 50% de carboidratos de uma dieta de 2500 kcal ela estará ingerindo 312,5 g de carboidratos. Continua sendo 50%, mas o valor absoluto é muito maior.

Por fim, as palavras chaves quando se trata de alimentação saudável são moderação e equilíbrio, ou seja, nem demais, nem de menos.

 

Referências:

DEHGHAN, Mahshid et al. Associations of fats and carbohydrate intake with cardiovascular disease and mortality in 18 countries from five continents (PURE): a prospective cohort study. The Lancet, 2017.

 

Por Wilson Abreu

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