EXISTEM PESSOAS QUE NÃO RESPONDEM AO TREINAMENTO?

Se você é treinador ou já treinou em um grupo sabe que as pessoas têm respostas muito diferentes ao treinamento. É também sabe-se que mesmo se estiverem fazendo exercícios idênticos, algumas pessoas farão muito mais progresso do que outras. E pior, alguns poucos “desafortunados”, não responderão de modo algum, simplesmente não apresentarão nenhum resultado.

Caso você seja uma pessoa como essa, saiba que isso pode acontecer por má prescrição, afinal tem muito treino ruim por aí que não dá em nada. Ou pode ser porque não tem jeito mesmo, o treino está certo, você come bem e também nada. Nesse caso você pode ser o que se chama de “não-respondente”.

Sim, existem diversos estudos que falam que isso realmente acontece, e é a principal razão de não conseguirem resultados.

Contudo, um estudo de Montero e Lundby (2017) publicado no Journal of Physiology contraria essa ideia e fala que essa estória de não-respondente não parece ser bem assim.

A primeira parte do estudo envolveu 78 voluntários que foram divididos em cinco grupos. Todos os grupos fizeram exercícios idênticos de 60 minutos, incluindo mix de corrida moderada contínua e exercícios intervalados mais intensos. A diferença entre os grupos era a frequência semanal: uma, duas, três, quatro ou cinco vezes por semana.

Veja como as melhorias individuais na potência máxima após seis semanas de treinamento, com a zona de não-resposta destacada em azul:

Como você pode ver, há muitos não-respondentes entre aqueles que treinaram por uma ou duas vezes por semana, poucos no grupo de 3 x/semana e nenhum nos grupos de 4 ou 5 x/semana.

Por si só, isso sugere fortemente que a não-resposta se dá pela dose de exercício. Afinal, o grupo de 3x/semana por semana já está fazendo 180 minutos de exercícios por semana, incluindo alguns intervalados intensos.

Em contraste, muitos dos avaliados que não demonstram resposta usam as diretrizes de exercícios padrão de 150 minutos de exercício moderado por semana. Este é um ponto importante em um nível prático. As diretrizes de exercícios são formuladas com base na resposta média ao exercício, mas algumas pessoas simplesmente não melhoram com essa dose de exercício.

Ainda assim, o teste real é levar os sujeitos que apareceram como não- respondentes no primeiro teste, que presumivelmente têm o perfil genético que os torna pobres respondentes ao treinamento e ver se eles podem melhorar com um treinamento mais volumoso. Foi o que fez a segunda parte do estudo fez: todos os não-respondentes treinaram por mais seis semanas, mas desta vez foi adicionado dois dias extras para o programa de treinamento em comparação ao primeiro treinamento.

Abaixo estão os resultados da segunda parte do experimento. As linhas mostram a melhoria da aptidão após seis semanas e, depois, outras seis semanas com dois dias de exercícios extras:

Pode-se perceber que todos os avaliados responderam ao treinamento. Então, o que isso significa de uma perspectiva prática? Pode-se melhorar, mesmo que seus resultados iniciais pareçam decepcionantes.

Então se você não está obtendo resultados satisfatórios converse com o seu professor sobre a necessidade de verificar se a frequência semanal está suficiente para melhores respostas.

Bons treinos!

 

REFERÊNCIAS

Esse artigo foi escrito baseado no texto escrito por Alex Hutchinson, disponível em: https://www.runnersworld.com/sweat-science/the-myth-of-exercise-non-responders

Montero D., Lundby C. Refuting the myth of non-response to exercise training: ‘non-responders’ do respond to higher dose of training. J Physiol. 2017 Jun 1;595(11):3377-3387.

 

Por Anselmo Moura

 

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