HIPONATREMIA EM MARATONISTAS

Os atletas de endurance como os maratonistas estão entre os esportistas com maior risco de ter hiponatremia. Em 2002 Almond e seus colaboradores (1) realizaram uma pesquisa com o objetivo de estimar a incidência de hiponatremia e identificar os principais fatores de risco em maratonistas. A pesquisa foi realizada com 489 atletas com idade igual ou superior a 18 anos de ambos os sexos que participaram da maratona de Boston em abril de 2002. Os participantes foram pesados antes e após a maratona. Os pesquisadores coletaram amostra de sangue ao final da maratona e questionaram os atletas sobre sua reposição hídrica durante a prova.

Os principais resultados encontrados foram:

  • 13% dos avaliados (62 corredores) apresentaram hiponatremia (Na <135 mmol/L);
  • 0,6% dos avaliados (3 corredores) apresentaram hiponatremia severa (Na<120 mmol/L);
  • A incidência de hiponatremia foi maior entre as mulheres (22%) comparada aos homens (8%);
  • Os autores identificaram alguns fatores de risco:
  • Tempo de corrida: a incidência foi maior nos corredores mais lentos, principalmente aqueles que terminaram a prova com tempo acima de 4 horas. Entre os corredores que apresentaram hiponatremia, 52% haviam terminado a maratona com tempo > 4h, 35% com tempo entre 3:30h e 4:00h e 13% com tempo < 3:30h.
  • O principal fator de risco encontrado foi o ganho de peso durante a corrida que está relacionado a ingestão excessiva de líquidos. Entre os corredores que apresentaram hiponatremia 75% relataram fazer reposição hídrica a cada milha (1,6km) e entre os participantes que ganharam peso durante a maratona 71% tiveram hiponatremia;
  • A maior incidência de hiponatremia entre as mulheres ocorreu provavelmente devido ao maior tempo de prova e pelo menor tamanho corporal. Entre grupo de corredores avaliados 33 tinham índice de massa corporal (IMC) abaixo de 20. Destes 76% apresentaram hiponatremia.
  • Os autores não identificaram influência do tipo de bebida na incidência de hiponatremia. Cabe ressaltar que a ingestão hídrica foi relatada pelos atletas o que dificulta discriminar o quanto cada atleta ingeriu de água ou repositores hidroeletrolíticos.

Diante dos resultados acima fica claro que devemos sempre individualizar a reposição hidroeletrolítica durante as competições. Há uma variação muito grande da perda hídrica entre atletas. É aconselhado que cada atleta estabeleça sua estratégia a partir das estimativas da taxa de sudorese (em L/h) coletadas durantes os treinos, principalmente nos treinos mais longos. Dessa forma, o atleta irá ingerir quantidades de líquidos que minimizem a desidratação e evitem a ingestão excessiva que pode acarretar hiponatremia.

REFERÊNCISAS

  • ALMOND, Christopher SD et al. Hyponatremia among runners in the Boston Marathon.New England Journal of Medicine, v. 352, n. 15, p. 1550-1556, 2005.

Por Wilson César Abreu

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