POR QUE O EXERCÍCIO É PARTE IMPORTANTE DO TRATAMENTO DO DIABETES MELLITUS

Diabetes mellitus (DM) não é uma única doença, mas um grupo heterogêneo de distúrbios que apresenta em comum a hiperglicemia. É classificada como DM tipo 1 (DM1), DM tipo 2 (DM2), outros tipos específicos de DM e DM gestacional (ADA, 2017).

A DM tipo 1 é autoimune, em que o paciente necessita da administração de insulina durante toda a vida, pois há um mau funcionamento das células β do pâncreas e consequentemente ocorre pouca ou nenhuma produção deste hormônio.

A DM Tipo 2 é essencialmente fenotípica, com a criação de uma combinação dos dois principais componentes patológicos presentes na diabetes tipo 2: resistência à insulina com diminuição da sua ação e disfunção das células β com diminuição da secreção da insulina pelas mesmas. Assim, com a diminuição da sensibilidade à insulina, as células β aumentam a secreção deste hormônio para compensar e manter a concentração de glicose dentro dos valores normais.

Ambos os tipos de DM levam à distúrbios em diversos sistemas do corpo humano. Esses distúrbios podem ser de origem vascular, neuropática e/ou metabólica. O exercício físico é utilizado como tratamento não farmacológico, e tem apresentado diversos efeitos benéficos sobre estes distúrbios.

Com relação aos distúrbios vasculares, é demonstrado que a prática de exercício físico leva ao aumento da capilarização, à diminuição do risco cardiovascular devido ao aumento da HDL e diminuição do LDL-colesterol, que por sua vez leva à prevenção do desenvolvimento da placa arterosclerótica. Há também à redução da pressão arterial e frequência cardíaca, devido à hipertrofia ventricular fisiológica esquerda e pela melhora do balanço autonômico, com menor ativação simpática.

Esta restauração do balanço autonômico está diretamente ligada também à correção dos distúrbios neuropáticos. O que se sabe é que o exercício pode, de forma crônica, diminuir a ativação simpática, medido por meio do aumento da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) (Routledge et al., 2010). Essa maior VFC está associada a aumento de tônus vagal cardíaco. Dois fatores são candidatos a causar este aumento, 1) a supressão da expressão da angiotensina II (que leva ao aumento da atividade simpática) e 2) a melhorar a função endotelial e a diminuição da biodisponibilidade de NO que estão associados à maior tônus vagal.

Em portadores de neuropatia diabética o exercício pode também aumentar a força muscular, melhorar a flexibilidade, a capacidade funcional e o equilíbrio, além de reduzir a fadiga muscular, o que pode auxiliar no tratamento, principalmente em indivíduos mais velhos (White et al., 2011).

Com relação aos distúrbios metabólicos, o exercício atua no controle do metabolismo, com aumento da massa isenta de gordura e diminuição da massa gorda. Ocorre também o aumento da sensibilidade à ação da insulina e na melhora da captação da glicose, de forma aguda e crônica. Essa melhora da captação está diretamente associada à maior translocação de GLUT-4 do citosol para a membrana plasmática. Os mecanismos que explicam essa translocação estão associados à AMPK, à Proteína quinase C e à EROs (Sylow et al., 2016). Contudo, outros candidatos a serem responsáveis por esta resposta do GLUT-4 vem sendo estudados. Recentemente, Ikeda et al. (2016) demonstraram que o aumento agudo da expressão da IL-6 aumentou a expressão de GLUT4 no músculo de camundongos e que este fenômeno pode desempenhar um papel no exercício pós-exercício no aumenta do transporte de glicose,  bem como o aumento da sensibilidade à insulina no músculo esquelético. Já Sylow et al. (2016) demonstraram que uma GTPase da família Rho, Rac1 (Ras-relacionada ao substrato de toxina botulínica C3) é ativada pelo estiramento do músculo e aumenta o transporte de glicose devido à realização do exercício físico, em camundongos.

Por fim, podemos destacar que o exercício físico é um importante aliado, atuando sobre outros fatores de comorbidade, como a hipertensão e a dislipidemia. Além disso, benefícios psicossociais como uma vida mais ativa e a melhora da autoestima também devem ser levados em consideração ao avaliar o sucesso de um programa de exercício físico no tratamento de indivíduos com DM.

Mas para que os benefícios ocorram, é necessário levar em consideração algumas restrições e cuidados para a prática do exercício físico. E isso é assunto par o nosso próximo post.

Referências:

American Diabetes Association. Diagnosis and classification of diabetes mellitus. Diabetes Care. 2017.

Diabetes SBd. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes. Brasília: AC Farmacêutica; 2015-16.

Routledge FS, Campbell TS, McFetridge-Durdle JA, Bacon SL. Improvements in heart rate variability with exercise therapy. The Canadian Journal of Cardiology. 2010; 26(6):303-312.

Ikeda S, Tamura Y, Kakehi, S, Sanada H, Kawamori R, Watada H. Exercise-induced increase in IL-6 level enhances GLUT4 expression and insulin sensitivity in mouse skeletal muscle. Biochemical and Biophysical Research Communications 473 (2016) 947e952

Routledge FS, Campbell TS, McFetridge-Durdle JA, Bacon SL. Improvements in heart rate variability with exercise therapy. The Canadian Journal of Cardiology. 2010;26(6):303-312.

Sylow L, Nielsen IL, Kleinert M, Møller LLV, Ploug T, Schjerling P, Bilan PJ, Klip A, Jensen TE, Richter EA. (2016), Rac1 governs exercise-stimulated glucose uptake in skeletal muscle through regulation of GLUT4 translocation in mice. J Physiol, 594: 4997–5008.

White CM, Pritchard J, Turner-Stokes L. Exercise for people with peripheral neuropathy. Cochrane Database Syst Rev. 2011;6:1-43

Por Anselmo Gomes de Moura

19 Comentários

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