RECOMENDAÇÕES DE EXERCÍCIO PARA PORTADORES DE DIABETES MELLITUS

No último post comentamos por que praticar exercício é tão importante para as pessoas portadoras de Diabetes Mellitus (DM). Contudo, algumas recomendações e cuidados são postulados pelas Diretrizes da American Diabetes Association (ADA, 2017) e pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBE, 2015-16). Nesse post trataremos das recomendações.

Antes de iniciar um programa de exercícios recomenda-se algumas avaliações que contemplem os principais sistemas comprometidos. Dentre essas incluem-se as avaliações cardíaca, vascular, autonômica, renal e oftalmológica, com os respectivos profissionais médicos especializados em cada área. Sabe-se que o teste de esforço com o médico cardiologista está indicado a indivíduos que queiram iniciar um programa de exercício de moderada a alta intensidade com idade maior que 35 anos, ou idade acima de 25 anos e DM tipo 1 há mais de 10 anos ou tipo 2 há mais de 15 anos, coma presença de hipertensão arterial, de tabagismo ou dislipidemia, suspeita de doenças arterial, coronariana, cerebrovascular e/ou arterial periférica, neuropatia autonômica, nefropatia grave, e/ou retinopatia. Fazem-se necessárias que essas avaliações sejam realizadas periodicamente.

Após as avaliações e consequente liberação para a realização do exercício, recomenda-se, para pessoas idosas com DM, a realização de pelo menos 150 min/semana de exercícios aeróbios de intensidade moderada a vigorosa (40 a 60% do VO2máx ou 50 a 70% da FCmáx), distribuída em pelo menos 3 dias/semana, evitando realizar 2 dias consecutivos durante a semana. Entre as atividades aeróbias destacamos a corrida, a caminhada, a natação e o ciclismo. Além disso, realizar 2 a 3 sessões/semana de exercícios resistidos (musculação, pilates, treinamento funcional, ginástica de academia, dentre outros) de intensidade moderada (1 a 3 séries de 10 a 15 repetições), conjugados com exercícios de equilíbrio e alongamentos (estático e dinâmico) com 2 a 4 repetições de 10 a 30 segundos cada.

Para jovens e pessoas com maior aptidão física podemos utilizar durações mais curtas (mínimo 75 min/semana) com intensidade mais alta (> 60% do VO2máx ou > 70% da FCmáx). Além disso, realizar 2 a 3 sessões/semana de exercícios resistidos de intensidade vigorosa (3 séries de 6 a 8 repetições), conjugados com exercícios de alongamentos (estático e dinâmico) com 2 a 4 repetições de 10 a 30 segundos cada.

Há evidências de que exercícios intervalados de maior intensidade apresentam maior impacto no aumento da condição aeróbica e na redução da hemoglobina glicada do que o aumento do volume semanal de exercício em diabéticos (Gay, Buchner e Schmidt, 2016). No entanto, exercícios mais intensos são de difícil realização e, muitas vezes, pouco seguros de serem alcançado em diabéticos, e esse fato deve ser verificado anteriormente à prescrição. A presença de um profissional de Educação Física que entenda do assunto faz toda a diferença.

Para crianças e adolescentes com DM recomendam-se realizar atividades aeróbias com duração de 60 min/dia de intensidade moderada ou vigorosa, conjugada com treinamento resistido de intensidade moderada pelo menos 3 dias semana. Para esse público, atividades lúdicas e em grupo ajudam na aderência ao exercício. É interessante lembrar que grande parte dos benefícios do exercício para pessoas com DM são crônicos, ou seja, são obtidos ao longo do tempo de treinamento realizado sem interrupções.

Logo, as recomendações variam de acordo com a idade dos sujeitos, bem como o tipo de diabetes apresentada pelo individuo. Na próxima abordaremos sobre as restrições e cuidados a serem tomados para a realização de exercício nesta população.

Referências

American Diabetes Association. Physical Activity/Exercise and Diabetes: A Position Statement of the American Diabetes Association. Diabetes Care, 2016;39:2065–2079

Diabetes SBd. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes. Brasília: AC Farmacêutica; 2015-16.

Gay JL, Buchner DM, Schmidt MD. Dose–response association of physical activity with HbA1c: Intensity and bout length Preventive Medicine 2016, 86: 58-63.

Por Anselmo Gomes de Moura

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